outubro 24, 2012


Haviam-lhe destinado uma vida curta, esperava adormecer, numa data qualquer que já tinha mentalizado. Era isso, um registo na mente por ele mesmo... Porém, todos os dias acordava surpreso. E bem, sorria percorrendo o corredor, passo-a-passo pelo soalho de madeira, calcando o caruncho, descia as escadas descobrindo a luz do dia. Pisando a erva fresca, pelo orvalho do amanhecer, sentara o seu rabo nú, seguindo-se o seu corpo, acompanhava o aconchego da grama e muito bem centrado no seio do circulo de pedras brancas e fálicas, que ornamentavam o jardim. As pálpebras descidas, a mente parada, a sua consciência era o Nada, o que sentia não sentia, o cheiro das flores do jardim, o chilrear das aves, o zunido das (apis meliferas), e por vezes uma suave brisa, (sorriso) Rodolfo acreditava que seriam as borboletas que o acariciavam... manias de artista lunático! Ali, ficava Rodolfo, aguardando o final da manhã, esperando a luz no traço correcto do seu relógio solar. Sabia que vida era tão incerta, que pouco lhe importava o tempo que despendia no amanhecer, crendo que se fundia com toda a matéria terrena ele sabia que isso lhe trazia algo, qualquer algo que o transcendia, algo que não precisava de saber, mas sabia ser etéreo. Importava-lhe o que sentia, porque esse sentimento, não palpável, era sentido. Na verdade, isso não havia verdade, havia a manhã, o jardim, aves, insectos e flores e a verdade de Rodolfo, que mantinha a sua ligação com a matéria que toda a vida o transcendeu e teima em fundir-se, com Rodolfo que sorri todas as manhãs, deitando-se com gratidão no seu pequeno planeta, onde giram pedras brancas e o solo é verdejante, inspirando o perfume das suas flores e tomando um sorridente banho de sol.

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