fevereiro 25, 2007

Imagina



Imagina que não existe céu nenhum
mas eu tenho o teu corpo pra abraçar
a tua alma para voar...
Imagina que não existe inferno ou guerra
senão eu por ti a lutar
Imagina que adormecemos, abraçados a sonhar
que vivemos no mesmo coração
e nos sentimos numa mesma lágrima a latejar
vindo do mesmo olho ou olhar, numa sintonia a chorar.
Imagina que vivemos mais próximos
do que se possa imaginar
Imagina que me tens na boca, meu amor
que eu tanto desejo, imagino ou sinto
que tenho na boca o teu sabor
Podes tu imaginar a vontade que tenho de te possuir, acariciar...
ai meu amor, depois de tudo só o paraiso nos poderá aguardar
Prados verdes, céus azuis, campos de girasóis, lagos cristalinos,
Sóis confortantes, Luas alucinantes...
O paraíso para amar...

Anahata


Há momentos em que a minha alma se esvai
em orgasmos,
percorrem-me o corpo
e eu sei, és tu por alguma razão
que mos provocas
por mais longe do odor da tua pele
do sentir dos teus cabelos
entre as minhas mãos excitadas
de te sentir...
na fricção da tua textura na minha
respiro uma brisa fresca de aroma relaxante
e eu não dúvido que esse aroma seja o teu
não dúvido que seja o conforto
da companhia da tua alma
abraçando o meu ser
envolvida no meu corpo, no meu peito
aconchegas-me o coração
tenho-te presente e não posso nem dúvidar,
por esta emoção.

fevereiro 21, 2007

Raquel


adormeci, o meu abraço em ti
amor quente, enérgico e vibrante
adoro envolver o teu cabelo no meu rosto
respirar-te...
saborear a tua pele
rebentar em sorrisos quando o teu olhar.
transparece e me diz brilhando que me amas
adormeço agora e sei que me fazes falta
que não te tenho no meu abraço
também sei que acordarei, sim... amanhã
sem te poder dar o primeiro beijo ao amanhecer
mas sinto todos os dias, que estamos nos nossos corações
e que quando anoitece me vais dizer amores
e que vou partilhar contigo todo o meu amor
e lembrar-te exaustivamente que te amo
de corpo e alma
que todos os dias e noites me desejo nos teus braços.
amo-te perdidamente...

fevereiro 18, 2007

Entrudo


Um olhar fora da janela, ar frio
cheiro de maresia...
ridículos festejos carnavalescos,
embora tantas atitudes sejam ridículas
apercebo-me da felicidade que se extrai
de lugares, de recantos, de motivos efémeros
que libertam, a loucura que se solta, que incomoda
a quem certas coisas nada dizem, nem significam,
e nada seja como deveria ser...
Importa mais que qualquer opinião, a felicidade,
formas de encontro, motivos para sorrir, importa ver que existe
um mundo que sorri, por mais tristeza e motivos que nos façam chorar,
importa saborear a existência.
Sentir os momentos, ser feliz por tantos motivos quantos motivos hajam
ou pareçam não haver, pois o valor positivo coexiste e tem-no porque
são os momentos negativos, que nos fortalecem, e nos levam a sobrevalorizar
tudo o que é bom sentir.
Mas façam a festa para quem a quer, pois quero eu viver a minha.

fevereiro 11, 2007

Ciclo


Escuto a fonte, meu misterioso desígnio
de cantar o amor.
Da tremenda alegria da carne
deve vir o espírito do canto, da vossa
deslumbrante alegria, ó intensas
criaturas solares.

Tudo o que é como sinal fecundo
da terra, tudo o que se toca
entre comoção e pensamento
deve participar do vosso cântico, ó
corpos apoteóticos, corpos
reconstruídos sobre o frio ascético dos cadáveres.

Vosso é o vinho libertador, a erva
virgem, ó pequenas cabras rituais, a erva
junto à água, junto ao silêncio,
junto à aragem - vosso é o pólen inconspurcado,
o fruto, o dia, a delirante
lua vermelha.

Vindes na simples harmonia da fome
e da mesa
com vossos gestos sexuais de uma graça infantil,
com vosso puro impudor
e a generosidade ingénua
do pecado.

Eu canto as vossas coxas verdes, o antigo
turbilhonar do instinto
que castamente transportais como depósito
no sacrário do sexo,
canto o vosso ventre diurno,
a infinita inocência da vossa entrega
milagrosa.

Humildemente teço minhas palavras gratas
sobre vossa carne, ergo minha taça,
oiço o rumorejar oculto da fonte.
Humildemente dissipo a solidão, aceito vosso apelo de esperma,
mereço a poesia.
Humildemente repudio a morte.

Por: Herberto Helder

fevereiro 09, 2007

Sun Tzu

"A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Quem se defende mostra que sua força é inadequada; quem ataca, mostra que ela é abundante."

"Existem cinco factores que permitem que se preveja qual dos oponentes sairá vencedor:
o aquele que sabe quando deve ou não lutar;
o aquele que sabe como adoptar a arte militar apropriada de acordo com a superioridade ou inferioridade de suas forças frente ao inimigo;
o aquele que sabe como manter seus superiores e subordinados unidos de acordo com suas propostas;
o aquele que está bem preparado e enfrenta um inimigo desprevenido;
o aquele que é um general sábio e capaz, em cujas decisões o soberano não interfere."
"A água não tem forma constante. Na guerra também não existem condições constantes. Por isso pode-se dizer que é divino aquele que obtém uma vitória alterando as suas tácticas em conformidade com a situação do inimigo."
"Dos cinco elementos, nenhum é predominante; das quatro estações nenhuma dura para sempre; os dias, uns são longos, outros curtos; a Lua enche e míngua."

Sun Tzu em: "A arte da guerra"

fevereiro 08, 2007

Padrão simbólico de sentir-te a ti


quero-te pintar o teu rosto um dia
o teu lindo corpo envolvido em dourados adornos,
padrões prateados, quero amar-te numa imagem eterna
como se pudesse eu ser deus nalgum momento
anseio beijar o teu corpo o teu seio, com a alma,
sentir teu calor confortar-me, beber as tuas lágrimas,
tua saliva e os fluídos... a tua linda fonte fresca... saborosa
deixo a minha mão deslizar na tua face drávida,
delicio-me com a textura da tua pele,
sorrio, saciado pelo brilhar do teu olhar melado
sinto me completo na alma
enebriado pelo teu odor
o meu coração é teu

Shakta

fevereiro 07, 2007

OM AIM HRIM KLIM CHAMUNDAYE VICHE

Como que um murro no estômago...
uma dor atroz, a lâmina de uma faca a trespassar o peito
um golpe profundo na alma...
a tristeza, a dificuldade de amar... o amor.
Uma ferida reaberta, ah! saudade
Ah! mágoas, defensivas atitudes.
O teu coraçãozinho inocente... quem te fez doer?
Porque me dói? A mim também.
Cosmos me dá a ti, em ti me quero...

Shakta

fevereiro 06, 2007

«Salsugem»


deitei a cabeça em cima da fotografia
e com a respiração despertei teu corpo
do sítio penumbroso onde viveras
o tempo não se gastou
passei estes anos a colocar as coisas
nos seus devidos lugares
ainda ouço
a voz outonal das palmeiras e o murmúrio
do vento cercando a casa protegida pelo bolor
era uma pequena ilha dizias
onde os ruídos duma vida anterior a esta
dormitavam ainda

agora está tudo arrumado
agito-me em volta das coisas
mas nada posso corrigir
o que está feito está feito

levanto-me daqui e corro para o telefone
tento saber se estás onde penso existir
uma cidade... ninguém responde

onde estarás?
deste ou do outro lado do telefone?
um puto irrompe da insónia
deitando-me a língua de fora

de qualquer maneira não consegui a ligação
pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória...amas
ou finges morrer

pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas

é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves

já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes


de «Salsugem», 1978/83: Rumor dos Fogos, 1983

Elegia do Segundo Sonho Vivo

Amor que vens na vaga do Índico e no sonho
Ao poeta velho e adormecido,
Ouve:
A noite que nos cobre é a minha harmonia e o teu desgosto,
Nosso encontro de cegos batido bordão a bordão.
Ela, que veio acordar-me e carregar-me,
Trouxe-te como a andorinha traz uma pallha na asa,
E é ela que talvez à mesma hora prime
Teu largo coração com seu pulso de bronze
E uma lágrima vã nos teus grandes olhos animais.
Apega-te à noite, dá-lhe a tua tristeza e ainda um resto de véu,
Enche-te de saudade e água estendida,
Faz-te leve no vento e fácil ao mar que nos criou,
E vem ao teu amor de infância,
Assim: com a tua cabeça que a água verde atira,
Coroada de asas e bichos frenéticos,
Cortada a relâmpago nas espumas,
Alta, leve ( e a estrela que nela se avivou?).
Depois, com as tuas mãos que sem querer me arredaram,
Tenta o suor abstracto da minha testa
E leva-o no lenço para umas pérolas que te dou.
Já, meu amor, será a mocidade ardida,
Os anéis enterrados antes antes de um aro mútuo,
Partida a âncora da promessa
E o cabo de vaivém todo enrolado a bordo
Como quando larguei e - ao menos uma vez! - me esperaste
[vão.
Já, meu amor, ninguém toucará a Menina
Destas rosas poéticas que eu crio,
Destas rosas de sangue que as lágrimas do Anjo tingiram,
Daquelas rosas brancas fanadas no lume ido e lento,
Outras molhadas na manhã da Ilha, no vinho,
Rosas de silêncio e de lava.


VITORINO NEMÉSIO

fevereiro 04, 2007

Mão morta (homénage)


Homenagem ao poeta Adolfo Luxuria Canibal e aos mão morta,
pela força de suas palavras e sonoridade.
Uma das minhas bandas predilectas, que arranca de mim extremas emoções...