Há uma espécie de tempo suspenso nas memórias
tempo sem fluxo e direcção
futuro ou presente
é esse tempo que se foi, o momento que jaz,
parado no tempo da efémera festa da vida
esse tempo é o luto recordado onde já não se vive
e o dia de ontem passa suspenso na linha de corda
onde se aventura o equilibrista
procurando a ponta onde termina o espectáculo
é admirável o seu tempo, o momento passageiro onde existe
mas sempre desaparece na escuridão do cenário
na linha temporal onde olhares se puseram no recear da sua queda
a vida mortal cede o tempo a um brilho que se vai apagando
no entristecer da beleza
no passar do tempo que brilharam tantos olhos
rebentaram corações, se incendiaram nos beijos e abraços
e se aqueciam nas noites frias de um inverno que não
nos importava, porque nada poderia destruir o instante feliz
do nosso abraçar
nada se perpetua no tempo, mas o tempo que se vive é o tempo que amamos
é o tempo que nos sente é a vida que nos eleva...
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