
A água do meu rio é fresca e cristalina,
vem das fontes da montanha longínqua que fica bem longe de onde termina
a água do meu rio
semente que germina vida,
é o rio de todas as flores e animais todos bebem de si quando passa
a sua sabedoria não tem consciência que alimenta o mundo
esse rio corre-me nas veias mas não é meu, esse rio floresce do ventre maternal
da terra rochosa que fica longe mas chega até mim
Nele posso navegar, fechar-me ao que avisto e vê-lo cristalizado
na minha mente
o rio sobe e desce com as marés, dança com as luas que passam pelo fluxo
contínuo da alma transparente deste meu rio
No dia brilha nele o sol que o ilumina
no seu horizonte se põe
e na noite o reflexo vaidoso da lua, espelhada nos olhos do meu rio,
esse rio vem do céu, entranha-se na terra e desce ao inferno
o meu rio, que não é o meu rio renasce por fim em ascensão purificado
e enche o mundo e pinta as margens de cor, azuis, vermelhos, amarelos, verdes
de uma paleta sem fim
preenche o mundo de paisagens impressionistas
onde reencarnam almas de Monet e Renoir
as crianças brincam no prazer de se sujar, na experiência feliz
de sentir a vida na pele.
Sem comentários:
Enviar um comentário