maio 21, 2012


A água do meu rio é fresca e cristalina, vem das fontes da montanha longínqua que fica bem longe de onde termina a água do meu rio semente que germina vida, é o rio de todas as flores e animais todos bebem de si quando passa a sua sabedoria não tem consciência que alimenta o mundo esse rio corre-me nas veias mas não é meu, esse rio floresce do ventre maternal da terra rochosa que fica longe mas chega até mim Nele posso navegar, fechar-me ao que avisto e vê-lo cristalizado na minha mente o rio sobe e desce com as marés, dança com as luas que passam pelo fluxo contínuo da alma transparente deste meu rio No dia brilha nele o sol que o ilumina no seu horizonte se põe e na noite o reflexo vaidoso da lua, espelhada nos olhos do meu rio, esse rio vem do céu, entranha-se na terra e desce ao inferno o meu rio, que não é o meu rio renasce por fim em ascensão purificado e enche o mundo e pinta as margens de cor, azuis, vermelhos, amarelos, verdes de uma paleta sem fim preenche o mundo de paisagens impressionistas onde reencarnam almas de Monet e Renoir as crianças brincam no prazer de se sujar, na experiência feliz de sentir a vida na pele.

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