abril 14, 2012
o ar gela a pele das suas maos
abraça a escuridão, fechando as palpebras
e inspira profundamente o som da chuva que se ouve
là fora onde as aves se tentam abrigar apressadamente
com a chegada do anoitecer
os seus musculos faciais reagem ao sopro do vento
ah, que saudade, sentir o temporal
a musica das chuvadas, que lembra a infancia
o chapinhar das galochas nas poças de àgua
o regresso aconchegante do menino que chegara da escola
onde deixou o cheiro dos livros e dos làpis
e o desinteresse da mestra sàbia
ah avô essa lareira quente e doce essa broa para roer...
o rapaz teve um flash back, serà que deveria voltar ao momento?
ao passado, onde depois tu, avô te perdeste?
o que aconteceu? perdeste-te no escuro da lareira;
dissolveste-te nas labaredas de fogo?
Na mesa ficaram a broa e a laranja, mas o canivete levado pelas chamas do esquecimento
ha que tudo morre, que tudo se apaga na lembrança do tempo, das horas que passam
dos dias que recordam a beleza triste que existe nos dias de chuva
o fogo enternecedor da lareira, um abraço reconfortante, o toque das mãos fortes de alguem que brilha para nós, um pai que nao é pai mas age como se o fosse na ausência
emocional do verdadeiro progenitor
talvez nao tenha dado o seu amor durante a sua vida a mais alguém; talvez o tenha guardado para o dar no fim...
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