
A noite é dos poetas, dos artistas
o seu éter...
A loucura do movimento sexual na poesia,
a violação das cores,
a embriagez do vinho, a satírica sociedade conspurcada,
a loucura das pessoas e a sua beleza em delírio
ao limite do seu
mais puro orgasmo interior,
admiro quem ejacula a própria alma!
A noite perfeita, a música perfeita...
O sono não me convida, a noite, este ócio
permite tanto a criação, é um belo incentivo...
Esta noite pertence aos pagãos, sem abandono
aos quais não prestam devoção a deus nenhum
Esta noite pertence ás energias que inspiram a mente
à força interior que me impele a ejacular
algo que existe em mim
Sou o difuso, confuso que sem vem com a alma
enquanto na leitura de frases ancestrais
traduzidas numa qualquer linguagem actual
escorrem-me orgasmos, divinas contracções
lá no meu santo graal, agitam-se os fluidos
no jardim do meu Éden, animados por "pecar"
o pecado é sim, o pecado é amar,
O amor é fornicar!
A fornicação contemplativa, da deusa, de deus
e deus é um orgasmo, o hiato que que precede
a orgia dos nossos genes, de um prazer incontinente
em que as nossas almas juntas se esporram
e adormecem os nossos corpos num abraço
confortante, até ao despertar individualista
do próprio ser que cada um de nós é...
Shakta
óleo s/ tela:Paulo Nunes
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