
O jardim imerso no escuro
por entre ramos e folhas, trespassa a luz lunar
ilumina o vulto de uma estátua parada
no centro inestéctico e desenquadrado
a relva dorme um corpo imóvel sobre o banco
de ferro fundido e ripas de madeira pintada de verde
sente-se um frio que gela o corpo,
a noite torna-se desconfortável
o vinho seca a boca e o estômago
implora algo comestível
decido entrar na ramagem de uma árvore baixa
mas a relva está húmida...
não me lembro de algo mais
acordo envolvido em excrementos de aves
que ali pernoitaram comigo
ganga suja, terra, relva, merda...
ouvem-se vozes de crianças alegres
e cães, um espaço vivo num dia
que precede a noite atroz
de um absurdo desconforto,
mas acontece, quando nos perdemos em cidades
e a noite foi um momento de solidão
agora havendo vida, sigo em busca de algo
nutritivo, percorro o caminho
que me leve onde pertenço.
Num mundo sem estátuas frias e cinzentas
nem florestas de betão.
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