janeiro 27, 2008

poema

Iniciação do Vinho
Os meus olhos beberam o vinho vermelho do silêncio
A minha taça era o semblante divino que ultrapassa toda a beleza
Os meus amigos julgaram, quando os abandonei, que o seu vinho, e nada mais,
Divertia o fundo do meu ser, de tal modo viajava na visão
Tinha eu porventura ainda necessidade de encher a minha taça,quando o meu olhar interior de contemplar a imensidão da sua alma, encantado estava?
E disse-lhes obrigado, aos meus bons companheiros de taberna;
A minha chama permaneceu assim segredo meu, a minha audácia era livre, ausente o admirar ciumento, vestígio de amor-próprio;Sei agora Senhor
O que se passa na minha alma
Nessa noite ébria longe do mundo falei com uma das tuas faces Assim de certa maneira estamos unidos e Unos
E de uma outra a separação será eternamente o nosso estado
Ao meu profundo olhar um vertiginoso pavor furta o seu
Mas na graça maravilhosa do sonho
Sinto o seu contacto na profundidade do meu espírito
Que posso fazer por ti ? Eu que já nem me vejo a mim mesmo
Não sou deste mundo nem do outro,o meu lugar é não ter lugar o meu rasto é não ter rasto
não sou cristão nem judeu nem muçulmano,
não sou nem de oriente nem de ocidente
não sou homem nem mulher
Um só eu procuro, Um só eu sei, Um só eu vejo
Um só eu chamo
Estou inebriado da taça deste vinho
Não quero saber dos dois mundos
Não tenho outro fim senão a embriagues e o deslumbramento
Só tenho para te oferecer esta minha contemplação sobre a tua alma
E dizer que tens asas, que és maior do que imaginas Que és imenso e tremendo
Que és Ele!

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